Ano passado, eu escrevi sobre o fim do FIES, onde falei sobre a diminuição do número vagas. Argumentei sobre o fim do Fundo de Financiamento Estudantil do Ensino Superior e como as instituições de ensino poderiam captar alunos utilizando relacionamento nas mídias sociais para suprir a vácuo deixado pelo FIES.

Hoje falarei sobre as regras do novo financiamento estudantil (FIES), que foram anunciadas pelo governo federal no último dia 6 de julho e que entrarão em vigor em 2018. A criação de 3 modalidades de contratos e o desconto na folha de pagamento após o estudante terminar o curso e conseguir o emprego formal estão entre as mudanças feitas.

Continue lendo esse texto e saiba mais sobre as mudanças do novo FIES 2018.

Novo fundo garantidor

Segundo o Ministério da Fazenda, o novo FIES 2018 terá um fundo garantidor de R$ 2 bilhões para cobrir a inadimplência, pelos próximos 4 anos. O Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (Fgeduc) passará a absorver 25% da inadimplência, ao invés de apenas 10%, como foi estruturado inicialmente.

Com essas mudanças, se o índice ultrapassar o teto estabelecido pelo governo federal, os custos serão repassados para as universidades privadas.

Aporte no financiamento: o que muda para as IES

Segundo estudo da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) e do Tesouro Nacional, em 2018, a contribuição do financiamento das instituições de ensino superior passará de 6,5% para 13%, quando passará a valer as novas regras. Esse percentual pode variar, de acordo com a qualidade de crédito da carteira.

Rodrigo Capelato, diretor executivo do Sindicato das Mantenedoras de Ensino no Estado de São Paulo (Semesp), defende que se a instituição é responsável, controlando a inadimplência dos alunos, deveria contribuir menos com o fundo.

Segundo o governo, essas mudanças ocorreram para reduzir o impacto nas contas públicas e assim, garantir a continuidade do programa. Para Mansueto Almeida, secretário de acompanhamento econômico, a gestão do risco compartilhado tornará a seleção de estudantes mais rigorosa. Isso significa que as instituições de ensino deverão ser mais assertivas no processo de captação de candidatos, inscritos e matriculados.

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Desconto em folha

Para reduzir a inadimplência, os novos contratos do FIES firmados, a partir de 2018, terão descontos automáticos na folha de pagamento dos egressos beneficiários do programa, assim que obtiverem um emprego formal. Antes, os estudantes tinham até 18 meses de carência após formados para iniciar o pagamento do financiamento.

O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida explicou que o descontou será feito antes do salário chegar na conta do trabalhador, por meio do e-social, e o limite do desconto será, em média, de 10% da renda.

Com essa mudança, os candidatos beneficiários do novo FIES, mais do que nunca, estarão de olho em estudar em uma instituição que se preocupe em impulsionar a carreira de alunos, candidatos e ex-alunos no mercado de trabalho.

Criar oportunidades de novos empregos para os seus alunos e criar parcerias com empresas da região para absorção dos profissionais formados pela sua IES são alguma das ações que a tornará mais atraente para esses candidatos.

Contrato por todo o período

Outra mudança proposta no novo FIES é que o aluno já saberá o valor total do empréstimo para pagar o ensino superior, no momento que firmar o contrato. Ele passará a ser para todo o período, ao invés de ser renovado a cada semestre, seguindo os reajustes das mensalidades, como acontece atualmente.

O secretário da Fazenda destacou que a alteração trará maior transparência na hora de contratar o financiamento, onde o aluno receberá uma simulação de quanto será a prestação do FIES e o rendimento médio na região do beneficiário, o que irá ajudá-lo a se planejar melhor.

Novos tipos de contratos

O novo FIES 2018 agora passará a ter 3 tipos diferentes de contratos, onde a inclusão dos alunos dependerá da renda familiar dos estudantes e das regiões do país onde vivem.

Veja abaixo os detalhes de cada tipo de contrato do FIES 2018.

FIES 1 (público)

Quem pode pedir: Estudantes de todo o país com renda familiar per capita de até 3 salários mínimos

Vagas para 2018: 100 mil

De onde virá o dinheiro: De um fundo garantidor com recursos da União. As universidades também irão compartilhar o risco do financiamento, que hoje é concentrado no governo federal

Juros: O valor será corrigido pela inflação e a taxa de juro será zero

Pagamento: Prestações serão pagas com parcelas de no máximo 10% da renda mensal, descontadas automaticamente do salário ou do rendimento da empresa aberta em nome do beneficiado.

FIES 2 (privado)

Quem pode pedir: Estudantes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste com renda familiar per capita de até 5 salários mínimos

Vagas para 2018: 150 mil

De onde virá o dinheiro: Dos fundos constitucionais regionais

Juros: 3% ao ano, além de correção monetária

Pagamento: Prestações serão pagas com parcelas de no máximo 10% da renda mensal, descontadas automaticamente do salário ou do rendimento da empresa aberta em nome do beneficiado.

FIES 3 (público)

Quem pode pedir: Estudantes de todo o país com renda familiar per capita de até 5 salários mínimos

Vagas para 2018: 60 mil

De onde virá o dinheiro: do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e dos fundos regionais de desenvolvimento das regiões Norte, Norte e Centro-Oeste

Juros: Ainda não há previsão

Pagamento: Prestações serão pagas com parcelas de no máximo 10% da renda mensal, descontadas automaticamente do salário ou do rendimento da empresa aberta em nome do beneficiado.

FIES 2017 VS FIES 2018

Para finalizar esse texto, coloco abaixo um comparativo entre o FIES 2017 e o FIES 2018, com as principais mudanças ocorridas.

Fies 2017Fies 2018
Renda Familiar – No máximo, três salários mínimos, considerando a renda bruta familiar per capitaRenda Familiar – Varia de três a cinco salários mínimos, dependendo da modalidade, considerando a renda bruta familiar per capita
Tipo de contrato – únicoTipo de contrato – 1) com renda familiar per capita até 3 salários mínimos e juros zero 2) renda até 5 salários, do Norte, Nordeste e Centro-oeste, com 3% de juros 3) renda até 5 salários, sem juros definidos ainda
Valor das parcelas – Parcelas mensais variáveis, dependendo do contrato e da fase da amortização. Não havia limite do comprometimento da rendaValor das parcelas – Parcelas de no máximo 10% da renda mensal
Carência – 18 meses após a conclusão do cursoCarência – Assim que conseguir emprego formal, após o término do curso
Juros – 6,5% ao anoJuros – Varia de zero a 3%, dependendo da modalidade
Cursos Prioritários –  Versão anterior tinha foco em vagas para medicina, engenharias e licenciaturas.Cursos Prioritários – não foram apontadas prioridades para tipos de cursos
Limite da mensalidade – valor máximo da mensalidade financiada era de R$5 milLimite da mensalidade – não estão previstos valores máximo

Obs.: A seleção no 2º semestre de 2017 seguirá as regras antigas. Segundo o Ministério da Educação, serão oferecidas mais 75 mil novas vagas de contratos de financiamento.

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Fique à vontade para deixar seu comentário ou dúvida abaixo.

Até a próxima.

Marcus Aquenaton: CEO – Planeta Y. Durante 15 anos atuei como gestor de marketing e comunicação no Ensino Superior. Passei por diversas universidades. Fiz parte de comitê de estratégia e inovação e palestrei em diversos eventos do mercado educacional brasileiro. Ao longo deste tempo, foram mais de 100 mil novos alunos captados, seja por meio de campanhas de vestibular, seja através de campanhas de relacionamento, do offline e eventos ao online e social media.