Quando uma empresa ou instituição de ensino está passando por uma crise, geralmente, nós, profissionais de marketing responsáveis pelas redes sociais, nos sentimos ansiosos para encontrar o mais rápido possível uma solução, não é mesmo? Porém, em alguns casos essa crise pode ser mais grave do que imaginávamos e suas implicações poderão exigir os cuidados de outros departamentos, como o jurídico.

Nenhuma instituição deseja que uma crise se torne tão grave a ponto de necessitar do departamento jurídico, porém o melhor a fazer é estar sempre conversando com as pessoas responsáveis por esse setor para ter mais argumentos e assertividade em suas campanhas nas redes sociais. As características dos diálogos mantidos nas redes sociais deixa sempre o setor jurídico bastante desconfortável. Isso porque teoricamente qualquer funcionário pode se considerar um representante legal da instituição que trabalha e assim iniciar ou potencializar uma discussão nas redes sociais.

Para que crises não se iniciem ou espalhem recomendamos sempre que o departamento de marketing, e todos os outros envolvidos nos processos das redes sociais, estejam sempre dialogando com o setor jurídico, a fim de conhecer e poder aplicar com assertividade as leis que regem esse ambiente virtual.

A importância do departamento jurídico nas estratégias para as mídias sociais

Sempre pregamos por aqui o quanto acreditamos ser importante para o sucesso de uma Instituição de Ensino que a área de marketing, e principalmente para o departamento de mídias sociais, dialogue e troque informações com o maior número de departamentos possíveis em uma IES. Isso por que, não apenas em situações de crise ou atendimento via redes sociais, é essencial que as pessoas responsáveis pelo posicionamento e reputação de uma marca conheçam todas as implicações sobre ela.

Muitos profissionais de marketing acreditam que os advogados e responsáveis pelo setor jurídico não entendem as novas tendências, e por isso tentam impedir o avanço das estratégias nesse canal. Porém, o receio e a cautela dos advogados em relação ao meio digital estão relacionados ao seu papel de proteger a instituição de ensino, evitando que ela seja exposta a grandes danos a sua reputação.

Por isso, nós do Planeta Y, acreditamos que para construir uma estratégia consistente de mídias sociais é preciso envolver o máximo possível os advogados e os responsáveis pelo setor jurídico da sua instituição de ensino. Uma atuação estratégica nas redes sociais exige que consigamos prever os riscos, antecipar os dados e ter a disposição o maior número de pessoas para proteger, reduzir e eliminar problemas e situações ameaçadoras a sua IES.

Diante desse grande desafio, cada vez mais é preciso que ambos os departamentos – marketing e jurídico – não apenas coexistam, mas cooperem um com o outro tanto para evitar crises quanto para realizar ações mais assertivas.

departamento jurídico

Quando envolver o departamento jurídico em uma crise nas redes sociais

Enfrentar uma crise nas redes sociais não é fácil, é preciso estar preparado para gerenciar os riscos e as situações que envolvem ações pontuais. Enfrentar as mídias, a opinião publica, o clima tenso dentro da organização, os gestores, coordenadores, alunos e comunidade no geral por não ter previsto os riscos e gerenciado melhor suas campanhas ou atividades institucionais, é uma experiência que muitas instituições de ensino não desejam passar.

Para que isso não aconteça é importante que você saiba exatamente quais serão os riscos de cada ação que você planejar, e ainda quem serão os primeiros a serem informados caso algo saia errado. Sabemos também que existem situações bem mais difíceis de prever, e assim, ainda mais difíceis de solucionar.

Listaremos abaixo 3 situações de crise que devem envolver o mais rápido possível os gestores e o departamento jurídico da sua IES:

1. Trotes violentos

Sempre que um novo semestre se inicia, universidades públicas e privadas de todo Brasil se preparam para recepcionar seus novos alunos. Porém, junto com a alegria de receber esses novos estudantes, em alguns casos, como já assistimos nos noticiários, essa “recepção” acaba sendo sinônimo de brincadeiras nem um pouco amigáveis.

Apesar de grande parte das instituições proibirem o trote dentro de suas dependências, isso não impede, no entanto, que os trotes continuem acontecendo ano após ano. Por isso, sempre que um trote, violento ou não, for identificado dentro ou nas mediações da sua instituição de ensino, consulte o seu jurídico sobre os direitos e deverem da sua universidade.

A sua IES deve agir sempre que houver um trote? Ou apenas quando houver vítimas? Faça uma lista com todas as dúvidas que você e sua equipe possuem sobre os trotes dentro e fora da universidade, assim você já estará muito mais preparado quando uma situação não sair conforme o esperado.

2. Acidentes dentro da estrutura da instituição de ensino

Acidentes são bem mais complexos de prever, afinal, são acontecimentos casuais e inesperados. Porém, há algumas situações que podemos ser bastante negativos e listar todos os possíveis – e até mesmo os impossíveis – acontecimentos desagradáveis em torno de uma situação. Por exemplo, se você pretende implantar um sistema de bicicletas dentro da sua Universidade, você precisa prever todos os tipos de acidentes em torno dessa estratégia. Desde falhas nas próprias bicicletas, até falhas nos equipamentos de segurança, buracos dentro do campus e muito mais.

Fazer uma lista com os prováveis e até mesmo improváveis acidentes ajudará você a saber exatamente qual atitude tomar quando um aluno se machucar ou não dentro da sua instituição de ensino. Caso um acidente dessa natureza, ou até mesmo de outras – morte, violência, estupro, racismo, entre outros – acione o seu jurídico imediatamente. Ele irá auxiliar o seu departamento de marketing na hora de assumir a falha, caso o erro seja da instituição de ensino e até mesmo na procura de provas e testemunhas para provar que a IES agiu corretamente.

LEMBRE-SE: Em casos de acidentes, com ou sem vítimas, procure o seu jurídico antes mesmo de dar qualquer resposta. Afinal, pode ser que tudo que você diga publicamente nas redes sociais seja usado contra você.

3. Calúnia, difamação e injúria

  • Calúnia (art. 138 do Código Penal): É acusar alguém falsamente de ter cometido um crime. Por exemplo, dizer que sua faxineira pegou dinheiro sem permissão. A pena é de seis meses a dois anos.
  • Difamação (art. 139 do Código Penal): É difamar alguém, dizendo algo que seja ofensivo à sua reputação. A pena é de três meses a um ano, além de multa. Falar de traições ou se alguém é ninfomaníaco, por exemplo.
  • Injúria (art. 140 do Código Penal): Ofender a dignidade ou o decoro de alguém. A pena é de um a seis meses ou multa. Aqui, na prática, é qualquer xingamento. Chamar alguém de “rameira”, “puta”, etc, pode ser enquadrado aqui. Se for algo relacionado à cor, raça, etnia ou condição de deficiência, a coisa fica mais grave e o usuário passa a ser enquadrado na lei 10.741, de 2003, contra discriminação. A pena pode chegar a três anos e multa.

Se em algum momento acontecer de você e sua equipe identificarem, através do monitoramento de redes sociais, sites impróprios divulgando imagens e vídeos falsos relacionados com a sua instituição de ensino, a primeira coisa que você precisa fazer é reunir o maior número de provas que conseguir. Salve o momento da menção à sua marca, imprima o conteúdo da página, os diálogos, posts e até mesmo e-mails, se houver.

Preserve essas provas em alguma mídia mais protegida, como pen drive ou CD. Todas essas provas servirão como fonte de informação para o seu departamento jurídico, e até mesmo para a polícia, se houver necessidade de envolvê-la. No entanto, essas provas não valem em juízo, pois carece de fé pública. Uma alternativa é ir a um cartório e fazer uma declaração de fé pública de que o crime em questão existiu, ou lavrar uma Ata Notarial do conteúdo ilegal/ofensivo. Esses procedimentos são necessários porque, como a Internet é dinâmica, as informações podem ser tiradas do ar ou removidas para outro endereço a qualquer momento. Consulte sempre o seu jurídico antes de agir.

As mesmas medidas devem ser utilizadas em caso de um troll. Saiba o que é um troll e como gerenciar comentários negativos nas redes sociais.

Já passou por alguma situação parecida?

Essas são apenas algumas das principais situações em que o jurídico deve ser acionado imediatamente. Se você já passou por alguma situação parecida, conte para nós como conseguiu solucionar, e qual foi a importância dos seus advogados na resolução deste caso.

Fonte: Mundo bit

Equipe Planeta Y: Sempre de olho no que acontece nas Redes Sociais, nossa equipe de especialistas digitais traz para você os novos insights em estratégia para mídias sociais, direcionadas para o Mercado Educacional.